A discussão sobre o destino do prédio do antigo DER – Rui Barbosa, em Penápolis, não deve se limitar à lógica da venda ou da simples cessão administrativa. Ela precisa ser ampliada para um debate maior, considerando qual o projeto de cidade que se pretende construir.
Defender que o espaço venha para o município e seja destinado à Cultura — especificamente ao *Museu de São Francisco*, padroeiro de nossa cidade — é defender memória, identidade e futuro. Não se trata apenas de ocupar um prédio, mas de dar função social, educativa e simbólica a um patrimônio que pode servir à coletividade.
Penápolis já possui dois importantes equipamentos culturais: o Museu do Sol e o Museu do Folclore. Ambos guardam obras valiosas e significativas de artistas locais, regionais, estaduais e nacionais. No entanto, seus acervos encontram-se há tempos em reserva técnica, armazenados em locais que não oferecem as condições ideais de exposição e fruição pública. Obras que deveriam estar formando olhares, despertando sensibilidade e fortalecendo a identidade cultural permanecem invisíveis.
Transformar o prédio em um grande espaço museológico integrado — com o Museu de São Francisco como referência simbólica e espiritual da história penapolense — seria um marco para a cidade. Estudantes da rede pública e privada teriam acesso direto à arte, à história e à cultura. Professores poderiam desenvolver projetos interdisciplinares. Pesquisadores encontrariam material para estudo. A população teria um espaço permanente de convivência cultural.
Além disso, um centro cultural estruturado movimenta turismo, economia criativa e pertencimento social. Cidades que investem em cultura não apenas preservam seu passado, mas constroem desenvolvimento sustentável.
Mais do que decidir sobre venda ou cessão, este é o momento de decidir sobre legado, e que esse espaço não seja apenas mais um prédio administrativo, mas um território de memória, formação e sensibilidade, pois Penápolis merece um espaço à altura de sua história.